terça-feira, 25 de março de 2008

MEDICO DE FAMÍLIA



(Por Taís Luso de Carvalho)
Fonte - http://fabiosouzaneto.multiply.com/journal


Estava pensando numa palavra que fosse bonita e que me trouxesse algum significado. E lembrei logo: ‘saudade!’. E isso me levou a fazer um parâmetro entre os médicos mais antigos e os médicos de agora.

Há alguns anos existiam, ainda, os médicos de família: lembro que os pacientes tinham nome, família, eram tratados e examinados como gente. Hoje somos números; somos ‘fichas’ ou ‘carteiras plastificadas’. E dependendo do plano de saúde, ainda agradecemos pelo tratamento um pouquinho diferenciado. Mas somos ‘carteirinhas’.

Será que os médicos de hoje não percebem que nós, quando doentes, ficamos frágeis, assustados e carentes de uma palavra amiga? Penso que deveria fazer parte do currículo da faculdade de medicina uma matéria indispensável ao médico: humanidade.

Será difícil para os médicos perceberem que por medo do diagnóstico é que vamos atrás do ‘médico-amigo’? Temos uma parte emocional que facilmente se desestrutura, e é nessa que falo.

São muitos os que divagam atrás de um profissional com as características do médico de família; dos médicos que conheciam nosso corpo e nossa alma. Daqueles médicos que sabiam o que estava acontecendo e por quê. Tenho pena de todos e tenho pena de mim.

Minha filha, hoje adulta, encontrou numa confeitaria, o seu médico de infância: chorou de emoção. Achei lindo isso, um ato de eterna gratidão. E eu, neste momento, lembrando disso, tento segurar meus abalos. Agora, ela não tem mais por quem chorar... Todos se acostumaram com a frieza do atendimento médico, com exceções.

Se os médicos de agora soubessem da importância deles, das marcas que deixam em nossas vidas, falariam e escutariam mais seus pacientes. Não procuramos um feiticeiro milagroso, procuramos um ser humano que se interesse pela nossa cura, mas também que tire nossas dúvidas, que nos dê esperança e uma palavra de conforto.

Digo-lhes doutores, as doenças nos deixam tão humildes e frágeis que, se fosse possível uma pitadinha de compaixão e de calor humano... Aliviariam nossas dores e, talvez, voltaríamos a chorar de emoção e agradecimento.

Depois, podem pedir tomografias, ressonâncias, cintilografias... Todos estes avanços tecnológicos que ajudam na precisão do diagnóstico. Mas, peço-lhes que não sejam máquinas, doutores, usem o coração!

quinta-feira, 6 de março de 2008

8 de março - DIA INTERNACIONAL DA MULHER


“Que o Espírito da Sabedoria Viva esteja sobre vocês

Que vos mantenha atentas, sábias, vivas,

Que vos ilumine com a sua calma Luz

Que vos proteja de todo mal

e de toda a aflição.

Que vos fortaleça

E vos acompanhe

E vos preencha de coragem.

E vos cubra com toda paz e o poder mais sereno

Hoje e todos os dias. Amém”
(Anete Roese)


O FIO DA HISTÓRIA

(A história que originou o dia 8 de março – DIA INTERNACIONAL DA MULHER)


Lá estavam elas, ao som dos teares,

Tecendo com fio de lilás

os tecidos que deveriam vestir e aquecer outros corpos

(roupas que elas mesmas jamais vestiram).

Já próximas ao limite de suas forças,

Exaustas pelas 16 horas de lida diária,

As operárias ainda encontravam ânimo
Para socorrer companheiras que se esvaiam tuberculosas;

Para saudar recém-nascidas

que saltavam para dentro da vida ali mesmo, sob os teares;

E para chorar envelhecidas jovens

que aos 30 anos agonizavam em seus postos e se despediam da vida.

Trabalhavam em condições subumanas, recebiam um ínfimo salário, as condições de salubridade eram precárias, não havia nenhuma lei que as protegesse no tempo de gravidez e de parto.


Embaladas pelo ritmo das máquinas,

E com o colo molhado de lágrimas,

As mulheres gestam sonhos de esperanças:

Salários dignos, melhores condições de saúde,

Jornada de trabalho que lhes permitisse abraçar mais longamente suas crianças,

Beijar mais ternamente seus maridos

E saborear um pouco mais a comunhão à mesa na simplicidade de seus lares.


Contagiadas por esse sonho,

Declararam greve e foram compartilhar seus anseios com o patrão.

Mas o patrão, indignado com tamanho absurdo,

Julgou ser este um caso de polícia.

E aquele sonho divino foi transformado

em um pesadelo infernal.


No dia 8 de março de 1857,

A fábrica de tecidos Cotton, de Nova York, foi incendiada.

As portas estavam trancadas.

O edifício foi transformado em um grande crematório.

129 mulheres morreram queimadas.


Mas a fumaça daquele holocausto espalhou-se por todo lugar,

Levando consigo o sonho daquelas mulheres,

Contagiando e sensibilizando pessoas em todo o mundo,

Que se encarregaram de tornar realidade aquele ideal.


Mártires cremadas, fios lilases,

Gestantes de um mundo melhor,

Inspiraram Clara Zetkin a propor,

Durante o 1o Congresso Internacional de Mulheres, realizado na Noruega em 1910,

A instituição do Dia Internacional da Mulher.

Desde então, a cada 8 de março,

Mulheres e homens tem reafirmado sua tarefa

De tecer uma nova história.


(Adaptação do poema O fio da história, de Edenir Antunes Filho e Luiz Carlos Ramos
Fonte :http://www.cebi.org.br )