sábado, 30 de janeiro de 2010

SOBRE ENCHENTES, TERREMOTOS E SUAS CAUSAS
                                                    
Conversando recentemente com meu amigo, o geólogo Carlos Murilo Carli, aproveitei para tirar algumas dúvidas e, com sua paciência e conhecimento, ele simplesmente deu-me uma “aula” . Eu não poderia deixar de compartilhar com vocês as informações recebidas, pois, como eu, sei que todos estão preocupados com todos esses movimentos sísmicos , mudanças climáticas, inundações e outros eventos do gênero que estão ocorrendo ultimamente, provocando tantas catástrofes e, é claro, apreensões de nossa parte. Fiz a ele inclusive “a pergunta que não quer calar” a nós, leigos no assunto: "se esses movimentos nas Placas Tectônicas têm a ver com a tão comentada mudança do eixo da Terra para a posição original".
Leiam abaixo, na íntegra, as explicações desse brilhante geólogo.



Respondendo sua questão:
Não. A movimentação de placas tectônicas e a Teoria de mudanças no eixo da Terra são coisas diferentes.

As placas tectônicas são “blocos continentais” que formam a parte dura do globo terrestre e que estão em constante movimento, coisa de centímetros por ano.

Os continentes são as partes emersas (fora do oceano) das placas, portanto as placas são enormes.

Então um gigante desses se movimentando alguns centímetros por ano, é uma coisa imperceptível.

O que causa o movimento das placas são as correntes de magma no interior do planeta e a erupção do magma, que causa o aparecimento dos vulcões nas bordas das placas e isso empurra as placas em sentidos opostos.

Então, onde existem vulcões, pode-se dizer que é a borda da placa tectônica.

Nesses locais é que ocorrem terremotos.

Mas o que causa um terremoto?? O movimento das placas, apesar de pequeno, acumula grande energia cinética, o terremoto é a acomodação de um pequeno pedaço da placa nas bordas.

É como que você ir empurrando um monte de pedras, você vai aumentando, aumentando a pressão, até que num determinado momento algumas pedras se movimentam para aliviar a pressão.

Aqui no Brasil, as vezes, sentimos um reflexo de algum tremor ocorrido distante, porque a estrutura rígida também oscila como um todo. È o que se chama de tremor residual.


Com relação a mudança do eixo da terra, isso está registrado nas rochas do mundo todo.

Isso ocorre realmente, mas isso ocorre no nível planetário e estelar de uma forma muito, mas muito devagar para os nossos sentidos.

Estamos falando de milhões de anos para se alterar 1 grau de inclinação da Terra.

Os registros são da seguinte maneira, existem alguns minerais com metais em sua composição (Ferro, Alumínio, Cobre, etc.), que atuam como agulha de bussola, apontando para o Norte Magnético da Terra quando estão se formando.

Analisando esses minerais, observou-se que ao longo das eras geológicas há uma mudança de direção do alinhamento dos minerais.

Isso ao longo das eras que são medidas em milhões de anos.

Concluindo a mudança do eixo depende também de eventos planetários que não são tão rápidos assim, a escala de tempo é a mesma.

PS – Pela minha formação e pelas minhas convicções, não acredito em mudanças catastróficas repentinas e muito menos com data marcada.

As mudanças acontecem sim, as catástrofes para a humanidade, são apenas fatos corriqueiros para o planeta.

Terremotos não têm causa antrópica, o homem não causa efeito ou tem controle sobre o que ocorre nesse nível de alteração do planeta.

O planeta pode sim ser considerado como um ser vivo, porém, ao fazer isso, o homem esquece que nós vivemos 70, 80, 90 anos.

O planeta tem um ciclo de “vida” de 20, 30, 40 BILHÕES de anos.

É muita pretensão achar que o planeta vai acabar nesse século ou nos próximos séculos, o máximo que pode acabar é a raça humana.

Portanto a humanidade é a presunção em si... Achamos-nos muito importantes, mas para a natureza, somos apenas mais alguns insetos no planeta que não influem em quase nada.

Você viu a série de TV (paga) “O mundo sem ninguém”? Se a raça humana desaparecesse hoje, em no máximo 500 anos, não haveria rastros da nossa civilização atual."


Geólogo Carlos Murilo Carli

H2O Soluções em Água Ltda.

12 – 3937-1120

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

             O legado profético de Zilda Arns
                                                                      - Por Leonardo Boff -


                                                          (Moacyr Lopes Jr./Folha Imagem)


                
Já se fizeram todos os elogios devidos à médica brasileira, Zilda Arns, irmã do Cardeal dos direitos humanos, Paulo Evaristo Arns, que sucumbiu sob as ruinas do terremoto no Haiti. Talvez a opinião pública mundial não se tenha dado conta da importância desta mulher que em 2006 foi apontada como candidata ao prêmio Nobel da Paz. E bem que o merecia, pois dedicou toda sua vida à saúde das pessoas mais vulneráveis. Por 25 anos coordenou a Pastoral da Criança acompanhando mais um milhão e 800 mil menores de cinco anos e mais de um milhão e 400 famílias pobres. A partir de 2004 iniciou a Pastoral da Pessoa Idosa com mais de cem mil idosos envolvidos. Com meios simples como o soro caseiro, o alimento à base da multimistura e outros recursos mínimos, salvou milhares de crianças que antes fatalmente morriam.

Seria longo historiar seu extraordinário trabalho difundido já em mais de 20 paises pobres do mundo. O que pretendo é enfatizar os valores do capital espiritual que sustentaram a sua prática. Nisso ela ia contra o sistema dominante e serve de inspiração para hoje.

É convicção crescente que não sairemos da crise de civilização atual se continuarmos com os mesmos hábitos e os mesmos valores consumistas e individualistas que temos. Ela mostrou como pode ser diferente e melhor.


A Dr. Zilda honrou o cristianismo, vivendo uma mística de amor à humanidade sofredora, de esperança de que sempre se pode fazer alguma coisa para salvar vidas, de fé na força dos fracos que se organizam e na escuta de todos até das crianças que ainda não falam.

Ela tinha clara consciência de que a solução vem de baixo, da sociedade que se mobiliza, sem com isso dispensar o que o Estado deve fazer. Problemas sociais se resolvem a partir da sociedade. Para isso, ela suscitou a sensibilidade humanitária que se esconde em cada pessoa e inaugurou a política da boa vontade. Mais de 250 mil voluntários, sem nenhum ônus financeiro, se propuseram assumir os trabalhos junto com ela.

Uma idéia-geradora movia sua ação, copiada da prática de Jesus: multiplicar. Não apenas pães e peixes como Ele fez mas, nas condições de hoje, multiplicar o saber, a solidariedade e os esforços.


Multiplicar o saber implica repassar às pessoas simples os rudimentos de higiene, o cuidado pela água, a medição do peso e a alimentação adequada às crianças. Esse saber reforça a auto-estima das pessoas e confere autonomia à sociedade civil.


Multiplicar a solidariedade que, para ser universal, deve partir dos últimos, buscando atingir as pessoas que vivem nos rincões onde ninguém vai, tentar salvar a criança mais desnutrida e quase agonizante. Essa solidariedade é a que menos existe no mundo atual.


Multiplicar esforços, envolvendo as políticas públicas, as ONGs, os grupos de base, as empresas em sua responsabilidade social, enfim, todos os que colocam a vida e o amor acima do lucro e da vantagem. Mas antes de tudo multiplicar a boa-vontade generosa.


Ora, são estes conteúdos do capital espiritual que devem estar na base da nova sociedade mundial que importa gestar. O século XXI será o século do cuidado pela vida e pela Terra ou será o século de nossa auto-destruição. Até agora globalizamos a economia e as comunicações. Temos que globalizar a consciência planetária e multiplicar o saber útil à vida, a solidariedade universal, os esforços que visam construir aquilo que ainda não foi ensaiado. Amor e solidariedade não entram nas estatísticas nem nos cálculos econômios Mas são eles que mais buscamos e que nos podem salvar.


A médica Zilda Arns seguramente sem o saber, mas profeticamente, nos mostrou em miniatura que esse mundo não é só possível, mas é realizável já agora.


(Leonardo Boff é autor de Saber cuidar: ética do humano, compaixão com a Terra ,Ed.Vozes (2006)).

domingo, 17 de janeiro de 2010





PEDRAS NO RIO
Autor: F. Madruga
(texto na íntegra, como recebido, sem revisão)

Roberto Crema é um pensador brasileiro. Dele aprendi uma grande máxima: “ninguém muda ninguém; ninguém muda sozinho; nós mudamos nos encontros”. Simples, mas profundo, preciso. É nos relacionamentos que nos transformamos.

Howard Hendricks disse que os dois fatores que mais nos influenciam e nos transformam são os livros que lemos e as pessoas com as quais convivemos. Hoje, vou ficar com o segundo fator.

Pois bem. Esses pensamentos acima saltaram imediatamente à minha mente, quando tive uma prova concreta do quanto somos transformados, do quanto podemos aprender a partir dos encontros, desde que estejamos abertos e livres para sermos impactados pela idéia e sentimento do outro.

Foi num dos encontros que a vida nos proporciona ou que nós nos permitimos experimentar e que conto a seguir. Estava em Brasília, almoçando e conversando com uma colega e amiga fiscal que também é médica, pensadora e agora escritora.

Ao longo da conversa caímos no assunto relacionamentos humanos. Ela me sugeriu uma analogia extremamente reveladora. Ora, como toda analogia, ela ajuda a ilustrar uma faceta ou perspectiva de uma idéia. Lógico que analogia nenhuma desenha todo o quadro, toda a cena – se é que exista um único quadro. O fato é que ela me fez a seguinte provocação:

“Madruga, você já viu a diferença que há entre as pedras que estão na nascente de um rio e as pedras que estão em sua foz?”

 Eu disse que não e ela me explicou:

 “As pedras na nascente são toscas, pontiagudas, cheias de arestas.

A proporção que elas vão sendo carregadas pelo rio, sofrendo a ação da água e se atritando com as outras pedras, ao longo de muitos anos, elas vão sendo polidas, desbastadas. As arestas vão sumindo. Elas ficam mais orgânicas, menos toscas, mais suaves, lisas, e o melhor: vão ficando cada vez mais parecidas umas com as outras, sem necessariamente serem iguais. Quanto mais longo o curso do rio, mais evidente é o fenômeno.” Depois disso, ela fechou a idéia.

“É a mesma coisa com as nossas vidas. Se nos permitimos estar em contato com as pessoas, sendo conduzidos pelo rio da vida, vamos, no “atrito positivo” (contato) com o próximo, eliminando arestas, desbastando diferenças, parecendo-se e harmonizando-se mais uns com os outros, sem necessariamente perdermos nossa identidade.”

Pensei bem e vi que se trata de uma verdade. Não nego que alguns desses contatos e atritos nos deixam marcas, tiram lascas de nós. Mas mostre um coração sem marcas e lhe mostro um coração que não amou, que não viveu. Um coração que não chorou, nem sentiu dor. Um coração sem sentimentos. E sentimentos são o tempero de nossa existência. Sem eles, a vida seria monótona, árida.

O fato é que não existem sentimentos, bons ou ruins, sem a existência do outro, sem o seu contato.

Passar pela vida sem se permitir o contato próximo com o outro, é não crescer, não evoluir, não se transformar. É começar e terminar a existência com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa. Quando olho para trás, vejo que hoje carrego em meu ser várias marcas de pessoas extremamente importantes. Pessoas que, no contato com elas, me permitiram ir dando forma ao que sou, eliminando arestas, transformando-me em alguém melhor, mais suave, mais harmônico, mais integrado. Outras, sem dúvida, com suas ações e palavras me criaram novas arestas, que precisaram ser desbastadas. Faz parte. Reveses momentâneos. Servem para o crescimento. A isso chamamos experiência.

Penso que exista algo mais profundo ainda nessa análise. Começamos a jornada da vida como grandes pedras, cheias de excessos. Os seres de grande valor, percebem, que ao final da vida foram perdendo todo os excessos que formavam suas arestas, se aproximando cada vez mais de sua essência e ficando cada vez menores, menores, menores. Quando finalmente aceitamos que somos pequenos, ínfimos, dada a compreensão da existência e importância do outro e principalmente da grandeza de Deus, é que finalmente nos tornamos grandes em valor.

Já viu o tamanho do diamante? Sabe quanto se tira de excesso para chegar ao seu âmago? É lá que está o verdadeiro valor. Pois Deus fez a cada um de nós, com um âmago bem forte e muito parecido, constituído de muitos elementos, mas essencialmente de amor. Deus deu a cada um de nós essa capacidade, a de amar. Mas temos que aprender como.

Para chegarmos a esse âmago, temos que nos permitir, através dos relacionamentos, ir desbastando todos os excessos que nos impedem de usá-lo, de fazê-lo brilhar.

Por muito tempo em minha vida acreditei que amar significava evitar sentimentos ruins. Não entendia que ferir e ser ferido, ter e provocar raiva, ignorar e ser ignorado, fazem parte da construção e do aprendizado do amor. Não compreendia que se aprende a amar sentindo-os e superando-os. Ora, esses sentimentos simplesmente não ocorrem se não houver envolvimento. E envolvimento gera atrito.

Minha palavra final: “atrite-se”. Não existe outra forma de descobrir o amor. E sem ele a vida não tem significado. Se você acha que não, veja as palavras do apóstolo Paulo:

 “Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.” (1 Co 13:1-3)

Atrite-se, desbaste-se, descubra-se: AME!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010


Líder: ame o seu liderado como a si mesmo.

_ Ricardo Piovan _


imagescalfpjls1Essa é uma idéia de James Hunter, autor do livro “ O Monge e o Executivo “, com a qual concordo integralmente. Ele conta que falar de amor em cursos de liderança geralmente provoca estranheza em algumas pessoas, especialmente executivos engravatados, que reagem com surpresa e até desconforto assim que ouvem esta afirmação pela primeira vez.
O conceito de amor que Hunter emprega, porém, é bem diferente do sentimento de paixão e romantismo que temos por nossos parceiros ou do afeto que sentimos por nossos filhos. O conceito a que se refere é o do amor universal, que, na liderança, se expressa pelo respeito e a consideração pelo outro, o interesse por seu bem-estar e o desejo autêntico de vê-lo feliz – um sentimento, como se vê, que pode-se ter em relação a qualquer pessoa.
 

Na definição de James Hunter, amor é “o ato de se colocar à disposição dos outros, identificando e atendendo suas reais necessidades e sempre procurando o bem maior”. Ainda segundo o autor, esse conceito de amor está baseado em oito comportamentos que descrevo a seguir.

- Paciência – Ser paciente é ser capaz de manter o autocontrole em situações que vão contra a nossa vontade ou aquilo que consideramos correto. A paciência nos impede de ter uma explosão de raiva com o colaborador que comete um erro grosseiro ou faz tudo diferente do que o orientamos a fazer. Trata-se de uma qualidade, enfim, que nos ajuda a manter o equilíbrio e lidar de uma maneira mais racional com as situações adversas que encontramos.

- Gentileza – Ser gentil é dar atenção e demonstrações de consideração para com os outros. Atender prontamente o chamado de um colaborador que pede ajuda, ouvir com atenção o que ele nos diz e usar as palavras “por favor” e “obrigado” são maneiras de expressar gentileza e fazer a pessoa se sentir considerada.

- Humildade – Oposto da vaidade, da arrogância e do orgulho, a humildade nos faz compreender que não somos os donos da verdade, podemos falhar às vezes e não temos todas as respostas. Sobre os líderes humildes, Hunter diz: “Autênticos, eles não posam de sábios, estão sempre disponíveis e, de certa forma, vulneráveis, pois têm o ego sob controle e não se baseiam em ilusões de grandeza, acreditando ser indispensáveis para a empresa”.

- Respeito – Respeitar é reconhecer o valor dos outros. O fato de ocuparmos a posição de líderes não nos torna melhores do que nossos colaboradores nem os torna piores do que nós: todos somos seres humanos, dignos da mesma consideração. A melhor maneira de demonstrar respeito pelas capacidades dos outros, na visão de James Hunter, é delegar-lhes responsabilidades.

- Altruísmo – Trata-se da capacidade de atender as necessidades dos outros antes mesmo das suas. Ser altruísta é capaz de fazer sacrificios e abrir mão de vantagens pessoais para obter benefícios para a equipe. Isso parece ingenuidade num mundo em que predomina a lógica individualista, mas não aos olhos dos colaoboradores, que desenvolvem sentimentos de admiração e respeito por um líder altruísta.

- Perdão – Baseia-se na consciência de que as pessoas têm limitações e fraquezas, que erram e merecem uma chance de acertar. Se um líder não for capaz de perdoar o colaborador por seus deslizes, como poderá desenvolvê-lo? O perdão não é bonzinho nem faz vista grossa para o erro do colaborador, mas aponta o erro, exige reparação e não guarda ressentimento.

- Honestidade – Na liderança, a honestidade se manifesta pela atitude de falar a verdade, ser transparente, não enganar nem tentar manipular o colaborador. O líder honesto inspira confiança nos liderados, condição básica para criar um ambiente de trabalho saudável e favorável ao desenvolvimento das pessoas.

- Compromisso – Hunter define essa qualidade como “ser fiel à sua escolha”. O líder compromissado com o desenvolvimento de sua equipe toma decisões alinhadas com esse objetivo e jamais o perde de vista. O mesmo vale para outros objetivos, como alcançar os resultados estabelecidos para o setor, concluir projetos no prazo etc. “Os melhores líderes servidores são aqueles que assumem compromissos e os cumprem”, diz Hunter, acrescentando que um líder só tem autoridade moral para pedir comprometimento da equipe se ele próprio tiver esse comprometimento.�
 
Aos que perguntam a James Hunter se o líder deve ser capaz de gostar mais das pessoas, ele responde que a maneira como se trata as pessoas é mais importante que os sentimentos que se tem por elas. “Muita gente questiona se é possível simular o comportamento amoroso. Minha resposta é que não se deve preocupar com o sentimento, e sim praticar os comportamentos do amor”.