quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007


O QUE VOCÊ FAZIA PARA QUEBRAR A INDIFERENÇA DAS PESSOAS?
E O QUE AINDA FAZ? - Roberto Shinyashiki -



”Estou até pensando em ficar nu, para chamar sua atenção".(Roberto e Erasmo Carlos)
Para as crianças, assim como para nós adultos, é muito difícil aguentar a indiferença de pessoas queridas e/ou importantes. Essa situação nos convida a uma dolorosa sensação de rejeição e inadequação,o que geralmente leva as pessoas a fazerem algo para não entrarem em contato com essa sensação.
Papai, você vai prestar atenção em mim, nem que eu tenha que...

-- Ser o melhor aluno da classe

-- Ser o pior aluno da classe, bagunceiro...

-- Ganhar sempre ou perder sempre

-- Ficar doente (ou nunca ficar doente)

-- Ficar solteiro-- Trocar de mulheres, o tempo todo (ou de homem)

-- Ser inseguro

-- Ser deprimido, zangado ou desvalido

Mamãe, você vai prestar atenção em mim, nem que eu tenha que...

-- Brigar com você todas as semanas

-- Cuidar de você toda minha vida

-- Estar sempre alegre (ou triste ou infeliz)

-- Sempre ter problemas em meu casamento


Frequentemente, por características de personalidade ou estilo devida, os pais não dispensam a atenção necessária aos filhos, ou dão o tipo específico de atenção que o filho queira receber. Por exemplo: pode ter recebido muito apoio financeiro, mas queria seu pai brincando com você. Ficar sem atenção é parecido a morrer. Para evitar essa situação, surgem condutas para romper a indiferença.

Às vezes, essas condutas são periódicas (por exemplo: ter um problema escolar). Outras vezes, estabilizam-se: o indivíduo torna-se, por exemplo, um fracassado profissional.
A IDÉIA BÁSICA É: Aceito fazer qualquer coisa, mas você tem que prestar atenção em mim! O que você fazia quando criança para receber atenção dos seus pais? E hoje, o que você faz para receber a atenção das pessoas?ABAIXO A ECONOMIA DE CARÍCIAS!

Como na “Estória de Carícias” existem conceitos de distribuição de carícias, que levam a gente a acreditar que as carícias são poucas, tão poucas que temos de guardá-las. E o que vemos é mesquinhez de afeto. Homens e mulheres guardam seus carinhos como um avarento guarda dinheiro. Ou sexualizam tudo, com noção de pecado e alienação, para fugirem do contato com as pessoas e viverem na miséria afetiva. Ou sexualizam com a noção de consumismo, onde o acabar, o conseguir números, passa a ser mais importante que a entrega. Então nasce ‘O AMOR DE TROCA’!
Se as carícias são em número limitado, e podem acabar... ‘então sempre que lhe dou algo, tenho que receber algo em troca (porque senão eu fico sem nenhuma carícia)!’

‘Você tem que cuidar de mim hoje... porque na semana passada eu cuidei de você’
‘Cuidei de você quando pequena, agora você tem que cuidar de mim’.‘Eu vou para a cama com você... se você casar comigo’. Como se o amor fosse uma moeda para trocar-se.

O prazer da entrega é substituído pelo medo de ficar sem, de ficar vazio. Porque, com o pressuposto de que o amor acaba tem-se que escolher muito bem a pessoa, a situação, para dar carícias... Isso é miséria afetiva, onde as pessoas passam fome de amor, apesar da abundância de amor que existe na humanidader...
Sucede igual à miséria humana, onde pessoas passam fome, apesar de produtivas, porque os recursos produzidos são usados para aumentar o contrôle de umas pessoas sobre as outras.

A miséria afetiva é tão ou mais grave do que a miséria material..Pois tira do ser humano a sua condição de HOMEM PARTICIPANTE DE UM AGRUPAMENTO, porque conduz o homem à mesquinhez, à solidão. As pessoas, em razão da mesquinhez afetiva, entram em um sistema de desconsiderar suas necessidades. Como coloca Laing:”Como um trabalho enorme, um desejo é negado, substituído por um receio, que gera um pesadelo, que é negado, e sobre o qual é, então, colocada uma fachada.”


Porque para alguém SER ele próprio é necessária uma dinâmica própria. Mas as pessoas condicionam-se a seguir padrões pré-determinados onde o novo incomoda, amedronta, demonstra os esquemas. E o novo, o individual, é sacrificado, em benefício do coletivo. Se for muito revolucionário cria-se a ameaça de punição (portanto, o melhor que você faz, meu filho, é assumir a direção da nossa fábrica, porque com esta crise!!!). E passa-se a viver dentro de um sistema de medo. Medo de ser abandonado,rejeitado criticado! E é dada uma importância absurda sobre o perigo de não ser amado


Por todos.


Logicamente, existem pessoas que gostam de nós (e isso é sensacional); outras pessoas podem não gostar, por razões as mais variadas, mas é importante entender que as pessoas têm o direito de gostar de quem querem. Há inclusive elogios que podem desmerecernos, e os quais não queremos. Seria o caso de recebermos elogios de organizações racistas...


Algumas pessoas dizem: ‘Repare que a D. Fulana não gosta de seu jeito’ (Como se, nesse momento, D. Fulana fosse a deusa máxima do universo).


E o medo vai aumentando... então as pessoas deixam de ser criaturas apaixonantes e passam a ser seres abandonantes...


E pensam... bem, trocar com elas eu não posso (porque dizem que acabam), então eu não dou as minhas carícias, nem rejeito as que não peço, porque o negócio é acumular... Aí, falam para nós: ‘Não deixe o Joãozinho brincar com seu carrinho, porque você vai ver que ele não vai deixar você brincar com o dele’.


Então a gente diz: ‘Joãozinho, eu quero brincar com o seu, mas não quero que você brinque com o meu’. Ou: ‘Bem, Joãozinho, eu já sei que vamos brincar com o seu, mas brinca com o meu porque eu preciso da sua atenção’.Há seres solitarios que esquecem que a vida foi feita para viver e não para provar-se que se está certo ou errado. Depois de tanto tempo com fome (de reconhecimento, de afeto, de estímulo), a pessoa começa a ‘explicar’ porque esses alimentos não têm importância, passa a querer provar que está certa e, nesse momento, deixa de satisfazer a suas necessidades.


É o caso daquela mulher agonizando, sofrendo de um câncer arrasador, com a face de quem passou fome de amor a vida inteira, dizendo para a filha que começava a chorar: ‘Minha filha, não chore, nem sua mãe merece suas lágrimas; eu nunca chorei!’


Essa mulher, muito provavelmente, está precisando e querendo um abraço, um olhar de amor... Porém recusa-se a mudar, a reconhecer que, embora tivesse mantido distância dos outros, por muito tempo, nesse minuto ela queria era estar próxima de alguém.


E cada vez mais, esquecemo-nos de nós mesmos.


Cada vez mais, esquecemos de nossas necessidades.


Aliás, cada vez mais, passamos a desprezar-nos porque ignoramos que o nosso corpo (NÓS MESMOS) nos dá o aviso de que somos GENTE!


As paredes deixaram de ter como objetivo de vida a realização de sua própria vida!. De realizar suas próprias expectativas! Sentir suas emoções! Sentir suas sensações! Serem espontâneas, serenas; autônomas!... E passaram a querer conquistar o mundo ... e deixaram de lado a conquista do PROFUNDO SER...


Contam que Deus não queria que a verdade fosse algo fútil e banal; então, conversando com os anjos, pediu sugestões de onde colocar a Verdade para estimular os homens nessa busca. Um deles disse: ‘coloque a Verdade no fundo do oceano, assim os homens terão que mergulhar no mais profundo para atingí-la’. Outro lhe disse: ‘Coloque nas estrelas, assim eles terão que subir para alcancá-la’. Finalmente, disse-lhe outro: ‘Coloque dentro deles, assim cada um estará sempre em contato consigo mesmo ao procurá-la’.


Mas parece que a maioria de nós continua procurando a Verdade nos títulos, nas posses, nas propriedades e no controle dos outros.


Logo, cada vez mais, o EU atrapalha, o EU que tem sono quando se quer trabalhar infinitamente para, cada vez mais, ter mais. O EU que se apaixona, quando não se quer envolvimento para não precisar de alguém.. O EU que tem estafa, quando não se pode parar.

O EU que fica enfermo, quando não quer adoecer de solidão. Então, cada vez mais, o EU passa a ser o maior inimigo.


E a natureza não perdoa! Se vocprecisa estar mais em contato consigo mesmo e não valoriza esta necessidade, surge então aquela dor de cabeça, aquela insônia, aquela angústia! Tem gente que só fica consigo mesmo quando está doente. Se você, ainda assim, não se liga, vem o enfarte e aí você tem que ficar consigo mesmo...


É diz a máxima:


“AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO”


Como o mesmo desprezo que alguém tem pelas suas necessidades, seus desejos; como o mesmo desamor que tem por si próprio, acaba desamando o outro!


Assim cada um de nós passa a colocar uma máscara para esconder-se, pois o importante são as expectativas e não o SER.


... E cada vez mais SOLIDÃO!


E a gente acaba esquecendo-se de que tem um título de sócio remido do Clube dos Seres Humanos. Um clube sem taxas, onde as pessoas podem amar-se, encontrar-se e, inclusive, realizar-se individualmente, apesar da potência do grupo.


Esse é um lugar de abundância de carícias, onde as pessoas se afagam e podem sentir carícias com o amor, a confiança, a aceitação.


A maior parte das pessoas, contudo, prefere pagar uma taxa cara, pagar com o preço da vida, negando a alegria, fugindo ao encontro, perdendo o respeito ao amor. Sem dúvida, um preço muito caro. Muita gente prefere, ainda, freqüentar o Clube dos Solitários, dos Deprimidos. Um clube de problemas, desculpas, explicações e acusações, montado em apartamentos individuais, garrafas vazias, geladeiras à meia-noite e hospitais. Nesse Clube, os esportes preferidos são: concurso para quem trabalha mais; dificuldades sexuais; comprimidos; competições; desconfiança; insatisfações.


O Clube dos Seres Humanos está aí, para TODOS. O que é CORAÇÃO ABERTO e DISPOSIÇÃO PARA SER FELIZ!


Cooperar é importante também!


E lembre-se: NÃO CUSTA NADA!


E muitas carícias para você e para os outros.

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