sábado, 28 de novembro de 2009


Gentileza é fundamental


                                                         Carmen Rosa de S. F. e Gomes
                                                      Colunista Revista Bahia Acontece
Foto: Jarlei Augusto
Foto: Jarlei Augusto
Recentemente recebi um excelente texto cujo tema era a arte da elegância, com autoria atribuída a Arnaldo Jabor (elegantérrimo) e com o qual concordei em gênero, número e grau. Faz algum tempo, sinto falta de certa dose de encanto nas pessoas em geral, é claro, vez que existem preciosíssimas exceções.
Uma das manifestações de elegância que mais sinto falta no mercado é a gentileza. Não me refiro àquelas frases soltas de botequim, maquinalmente proferidas, sem a menor consistência e que nos passam a sensação de estarmos vivendo em plena ficção, interagindo com seres clonados.
Falo de pequenos gestos, pelos quais sequer esperamos, mas que quando acontecem fazem toda a diferença! Um muito obrigado, quando o outro nem percebe o bem que nos fez e por isso não espera qualquer recompensa. Um sorriso ao desconhecido pela simples vontade de sorrir, sem medo do que isso possa representar.
Um ”por favor,” ou um “bom dia” sincero, desejando bem no íntimo que o dia seja realmente proveitoso! A delicadeza de pedir desculpas e de desculpar; a arte de saber calar, quando não se encontra algo de bom para falar.
A gentileza de aceitar o momento do outro que nem sempre está no mesmo ritmo que o nosso e de acolher o nosso instante, com todo o carinho, seja ele qual for. Gentileza no instante da separação e mesmo na hora de dizer “não”!
Gentileza com a vida em todas as suas manifestações e não somente com aquelas que nos são temporariamente convenientes ou oportunas. Afinal de contas para que nos serve o raciocínio? Ser gentil é o mínimo de contribuição para melhorar um mundo, no qual nos acostumamos a assistir crianças e velhinhos sendo torturados dentro de seus lares, enquanto tomamos o nosso frugal café da manhã!
Creio que o excesso de informações trágicas banalizou a violência com a qual passamos a conviver e nos afastou da atitude de sermos gentis. Mais uma inversão de valores no mundo “moderno”, onde ser gentil parece cafona e brega… Pobre modernidade tão frívola quanto as relações que nela se espelham e se baseiam.
Falta mesmo um ar retrô, um pouco dos anos dourados, do charme das cartas escritas a mão, dos bilhetes ao acaso, dos lembretes deixados no espelho, com batom. Hoje temos muita rapidez em tudo, enviamos e recebemos diariamente dezenas de mensagens eletrônicas em massa e que lotam as caixas de correio, temos acesso a milhares de dados em um breve estalo de dedos e, no entanto nos falta… Tempo!
Acordamos com pressa, passamos o dia apressados e voltamos para casa… Estressados. Passamos a vida nos protegendo do seu lado mais belo, com a desculpa de que não temos tempo para isto ou aquilo. Pois bem, que nos falte o tempo, a paciência, o feijão e até o dinheiro, mas gentileza é fundamental!

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